O que nos Aeroportos?

16 Dec 2016

Reinaldo M. Del Fiaco

 

Em cidades de múltiplos aeroportos você escolheria o aeroporto em base ao Plano de Emergência Aeronáutica em Aeródromo? Recentemente, recebi o convite do editor-chefe do Piloto do Brasil, comandante Werneck, para que eu fizesse parte do time de redatores. Apesar das restrições do dia a dia, me esforçarei em busca de entregar 2 redações semanais para a coluna batizada “O que nos aeroportos?”. Se o Flávio Augusto em meio de todas suas atribuições consegue fazer conteúdo para o Geração de Valor, o por quê eu não conseguiria? Então, desafio aceito. 

Para um pequeno resumo, sou o Reinaldo Del Fiaco, bacharel em ciências aeronáuticas, piloto comercial de aeronaves e mestrando em engenharia de transportes. Faço parte de alguns grupos de pesquisas sobre logística, inovação em transportes e pesquisa operacional. Sou um grande entusiasta sobre comunicação na aviação. Este primeiro tema para a coluna, sobre o Plano de Emergência Aeronáutica em Aeródromo, é uma das minhas propostas de pesquisas para dissertação, no qual em um longo processo de decisão e que está perto de chegar em um consenso. Nas colunas não irei aprofundar nos assuntos, somente dar um panorama, mas se quem quiser saber como cheguei em certos questionamentos e conclusões por favor entre em contato comigo, no e-mail cmtefiaco@gmail.com.          

 

 

Recentemente, a infraestrutura, planejamento e operação dos aeroportos brasileiros sofram modernizados por incentivo do Plano de Concessão do Governo Federal, com a primeira concessão em 2012. A concorrência e a exigência do Governo para que as concessionárias modernizassem os aeroportos fez com que benchmarks fossem observados para ajudar a fortalecer a administração aeroportuária. Se fosse colocar em uma matriz SWOT, um dos pontos que foram reforçados e que ainda apresenta oportunidades é a Segurança dos Aeroportos.

Para mostrar a importância do investimento em segurança nos aeroportos, principalmente no atual cenário brasileiro, é que não há registros de acidentes graves na aviação regular nos últimos 10 anos. Para entender melhor, a Segurança Aeroportuária e diferente do Sistema de Gerenciamento de Segurança Operacional (SGSO), ambas são consideras como gerência, entretanto o SGSO atua direto com a superintendência do aeroporto para auxiliar nos processos de decisão. Tanto a Segurança Aeroportuária e o SGSO trabalham juntos para avaliar o Plano de Gerenciamento de Crises e o Plano de Segurança Operacional dos Aeroportos, que são atividades vitais para a qualidade do nível de segurança e de reação de possíveis acidentes e crimes contra a aviação.

Como toda empresa, os aeroportos possuem receitas e custos, a diferença entre os dois representam os lucros. Atualmente, as gerências voltadas para a segurança não trazem receitas diretas, os custos são altos e suas ações são difíceis de serem mensuradas em relação a percepção dos usuários. Sendo que a percepção dos usuários é importante para que a administração aeroportuária priorize investimentos, assim como vários processos são investigados quanto à percepção dos usuários no Relatório Geral dos Indicadores de Desempenho Operacional, publicado trimestralmente pela Secretaria de Aviação Civil.

Um acidente aeronáutico é motivo de grande tristeza para comunidades em geral, e de aprendizado para que os mesmos fatores nunca voltem a acontecer para a comunidade da aviação. Quando um acidente ocorre dentro do perímetro do sítio aeroportuário o Plano de Emergência Aeronáutica é colocado em ação, na qual envolve a coordenação da Seção Contraincêndio, Posto de Coordenação Móvel, Centro de Operação de Emergência, Centro de Operações Aeroportuárias, Torre de Controle, Serviço de Salvamento Aquático (quando necessário), Posto de Primeiros Socorros, Corpo de Voluntários de Emergência, Coordenador de Segurança, Operador da Aeronave, Alfândega e Imigração (caso destino e origem ou envolvidos internacionais), polícia federal, militar, civil, pessoal do SIPAER, Centro de Gerenciamento de Navegação Aérea, defesa civil, imprensa e equipes portadoras de equipamentos para emergência. Pode-se imaginar a complexidade do planejamento e operação, e a importância de se salvar vidas que durante um acidente os segundos são primordiais.

Resguardar recursos financeiros também são importantes. Quando o MD11 da Centurius Cargo sofreu o acidente no aeroporto de Campinas em 13 de outubro de 2012, causou prejuízos para muitas empresas aéreas, principalmente a Azul. A falta de um Recovery Kit, e depois da chegada do equipamento os difíceis processos de liberação do uso do equipamento por parte de órgãos competentes do Governo, contribuíram para que quase 500 voos fossem cancelados em menos de 1 semana. 

Por regulamento (RBAC -153), os aeroportos devem fazer exercícios simulados para manterem níveis de alerta, segurança e controle para possíveis emergências, sendo a estrutura e ações necessárias são diferentes para cada um dos quatro tipos de aeroportos. Para que se entenda melhor, recomento que aprofundarem no assunto de Segurança Aeroportuária ao ler a dissertação sobre a “Proposta de Protocolo de Avaliação de Exercícios Simulados para Segurança Aeroportuária” da Cristina Damasceno Corrêa Tavares Mendes, defendida no ITA.

Mesmo sendo difícil com que os aeroportos divulguem suas estratégias, ou que a Agência Nacional de Aviação Civil mostre para os usuários os resultados dos Exercícios Simulados de Resposta à Emergência, ainda será um processo difícil para que os usuários tenham uma percepção de todas as ações que estão por trás de um voo. Agora com essas informações, responda a pergunta feita no início da coluna.      

 

Publicado em: http://www.portaldopiloto.com/portal/2986-2/

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